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Rui Entrevista Fabiana Avelar - Concorrente Começar do Zero

  • 8 de fev. de 2020
  • 5 min de leitura


E foi na passada Terça-feira que o De Olho na Casa esteve à conversa com Fabiana Avelar, a concorrente destemida de 40 anos que mostra que com força de vontade tudo é possível.

De Olho na Casa - Porque é que te decidiste inscrever nesta experiência social?

Fabiana Avelar - Era um domingo à noite e estava me preparando para a semana. Confesso que um pouco triste e sem entender, porque ainda não tinha conseguido uma entrevista de trabalho, mesmo com a experiência que tenho na área ambiental, de gestão e comercial.

Percebi que tinha algo em mim que precisava ainda aprender. Resolvi então pesquisar na internet coisas como re-começar, re-inventar, enfim... ai apareceu isso “você já pensou em começar do zero?”, entrei no link e fui lendo, e me apaixonei pela proposta, e disse: é isso que preciso! Uma oportunidade de me esvaziar, como disse no programa “literalmente”, e ainda poder por em prova minhas habilidades comerciais, artísticas e até meu conhecimento ambiental.

De Olho na Casa - Quais eram as suas expectativas iniciais?

Fabiana Avelar - Sinceramente não tinha uma expectativa. Tinha um objetivo.

Rever os meus valores, reorganizar prioridades de consumo, de vida, de conquistas.

Entrei para esta experiência de uma forma muito aberta e muito inteira como deve dar para ver no programa. Não criei quaisquer expectativas por medo, justamente por ser algo muito desconhecido. No dia em que a gente fica com a casa vazia e perdemos tudo não há como haver preocupação com sapatos, por exemplo. A preocupação é o frio e o saber como é que vou dormir nessa noite. Por isso o meu objetivo sem dúvida que era sair desta experiência uma pessoa melhor.

De Olho na Casa - Já que referiu isso, qual é a sensação de ver tudo o que gosta inclusive mobílias de sua casa a saírem pela porta?

Fabiana Avelar - Horrível! Uma mistura de perda, e medo! Eu não tinha ideia inclusive do eco que fica na casa sem móveis! E o frio então? Nossa!!! A casa parecia um iglú! Hahahha

De Olho na Casa - Até dizia que consigo imaginar mas só quem passa por isso é que sabe na verdade!

Fabiana Avelar - Exato Rui! Você tocou num ponto muito importante. Todos somos capazes de imaginar tal situação! Mas só quem passa por isso é que realmente sabe o que é!

Mas isso é como tudo na vida! Sabemos que um dia podemos perder um ente querido, o emprego, a casa, o namorado, e até nossas coisas por uma tragédia como a de Moçambique, ou até mesmo um incêndio assim como houve cá em Portugal, mas sentir, só nós mesmos sentimos quando vivemos! Por isso sempre tomei muito cuidado em julgar o outro.

De Olho na Casa - Quando se viu assim despida e sem nada qual passou a ser a sua prioridade?

Fabiana Avelar - Pegar um casaco desses compridos de inverno para me aquecer (que foi o que fiz!), pois o casaco iria me ajudar em várias coisas: me vestir de forma a sair na rua e chamar o menos atenção possível, me aquecer, servir de coberta pois ele aberto fica enorme e também me proteger de ficar em contacto direto com o chão gelado.

De Olho na Casa - E acha que com a experiência está mais preparada para essas perdas?

Fabiana Avelar - Eu, por sempre ter tido oportunidade de ter um colchão e uns sapatos, nunca agradeci a verdadeira função desses objetos. A gente no nosso dia-a-dia temos eles e nunca damos o valor necessário. Em relação ao sapato, eu nunca agradeci o quanto ele me protege do frio. Ficar descalça no frio é um absurdo e no calor até queima o pé!

Eu sempre adquiri os sapatos por vaidade para combinar com a roupa e não para proteção do pé. Eu desvalorizava os objetos, não lhes dava o verdadeiro valor.

Acho que com o programa aprendi a valorizar mais o que tenho, e a dar valor às coisas essenciais para se viver como um colchão, um par de sapatos, entre outras coisas.

De Olho na Casa - Acha que a sua religião lhe deu toda a força que mostrou nos episódios?

Fabiana Avelar - A minha religião como eu digo é mais uma filosofia de vida do que uma religião. Ela sempre foi os alicerces das minhas condutas, da minha vida, da forma de encarar e perceber as coisas, de entender que tudo tem um porquê. É uma religião ativa que faz você ir atrás e conquistar.

Eu acho que essa questão de garra e determinação tem a ver comigo mesma. Eu já desde muito novinha sempre fui a rebelde da escola, a mais para a frente, toda tecnológica.

Sempre fui de correr atrás dos meus sonhos e dos meus objetivos não importando o que tivesse de fazer. E acho que foi isso que me fez virar empresária aos 28 anos onde tive muito sucesso na área comercial e gerenciamento de negócios e pela área ambiental que é uma novidade para mim e pela qual me apaixonei.

Eu perdi a minha avó aos 19 anos e eu amava ela e morava com ela e ela me fazia todas as vontades. Avô e avó é mãe duas vezes. Com a perda dela meu mundo caiu, apesar de ter a minha mãe eu me sentia sozinha porque aquela pessoa que me protegia não estava mais ali então eu tinha de ir enfrentar o mundo. Eu acho que foi essa perda, engraçado que a gente até falou sobre perda antes, que me fez ser quem sou hoje. Ficar chorando e martirizando não ajuda. Ninguém quer ver uma pessoa do seu lado chorando e reclamando o dia inteiro. A gente só afasta as pessoas dessa forma. A minha vida social é muito intensa e acho que até se deve a isso porque eu sou uma pessoa muito para cima e coloco todos para cima e temos de ser assim, não tem como não ser.

De Olho na Casa - Para terminar, em relação às polémicas sobre o programa que dizem que são só pessoas nuas, o que tem a comentar sobre isso?

Fabiana Avelar - É o que eu falei, eu não quero julgar o que cada um pensa sobre o programa. O que eu acho é que, claro que a nudez chamou a atenção e a emissora pode ter colocado por esse motivo. Todos somos diferentes. Agimos e pensamos de maneiras diferentes. O que eu digo é assistam o programa até ao fim e quando acabar o programa me falem de novo.

O programa é sobre pessoas nuas?

O programa é sobre nudismo?

O programa teve atitudes desrespeitosas com o corpo de alguém ou com as pessoas?

 
 
 

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